Fraude em medicamentos contra câncer resulta em prisões e milhões em vendas
Por Redação
05/11/2026 às 11:27

Foto: VEJA
Nesta quinta-feira, 5, três pessoas foram detidas na segunda fase da Operação Laziosi, que investiga um esquema de falsificação de remédios para câncer.
Na quinta-feira, 5, três indivíduos foram presos durante a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga um grupo envolvido na falsificação e venda de medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer. Além das prisões, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco cidades do interior paulista: Araraquara, Matão, Marília, Agudos e Mirassol. A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com o governo paulista, também foi determinado o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens dos envolvidos e a suspensão das atividades de sete empresas ligadas ao esquema. As investigações começaram em 2024, após um laboratório identificar a venda de uma unidade falsificada de um medicamento imunoterápico a um hospital na capital, através da distribuidora Nacionalfarma, localizada em Araraquara.
Os imunoterápicos, que são medicamentos biológicos de alto custo, são utilizados principalmente para tratar câncer de pulmão, rim, bexiga e mama. Eles funcionam estimulando o sistema imunológico do paciente a reconhecer e eliminar células cancerígenas. A análise do fabricante revelou que o produto falsificado não continha o princípio ativo necessário para o tratamento, conforme confirmado pela perícia.
Na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024, documentos e materiais apreendidos ajudaram a descobrir uma rede de empresas associadas à distribuidora, muitas das quais não tinham estrutura operacional nos endereços registrados. O Ministério Público de São Paulo informou que, entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora emitiu notas fiscais de imunoterápicos que somaram mais de R$ 1,5 milhão, com vendas para pelo menos sete estados brasileiros.
Em abril de 2025, a mesma distribuidora vendeu a um hospital do interior paulista nove unidades falsificadas de outro medicamento oncológico. Uma dessas unidades foi administrada a um paciente em tratamento, enquanto as outras oito foram recolhidas e substituídas por medicamentos de um lote que coincidia com uma carga roubada em Minas Gerais.
A Polícia Civil de São Paulo continuará as investigações, analisando os documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos na segunda fase da operação.
Fonte: VEJA
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